15 outubro 2015

Blues puerperal ou melancolia pós parto. O que é?

Ficamos 9 meses desenhando o rostinho do nosso bebê, sonhando com o momento de conhece-lo pela primeira vez, e após o nascimento, porque nos sentimos tão tristes?

Heitor com 7 dias.


O nascimento de um filho é um momento de felicidade, mas ao mesmo tempo acompanha com o cansaço e responsabilidades. Após o parto, muitas mulheres se sentem tristes, choram, tem alterações de humor, e isso é conhecido como blues puerperal ou melancolia pós parto.

Segundo o site Baby Center, essa melancolia pós parto está geralmente ligada as mudanças hormonais que acontecem três ou quatro dias após o parto, quando os hormônios da gestação desaparecem e a produção de leite se inicia. Entre 60 e 80 por cento das mulheres passam por isso depois do parto, e muitas se sentem exaustas, incapazes de dormir, comer e se sentem ansiosas. Pode haver irritabilidade, preocupação excessiva quanto ao papel de mãe.

Eu mesma tive blues puerperal, só que no meu caso durou entre dois a três meses. Eu não conseguia dormir, comer, a casa tinha que ficar no silêncio absoluto para que eu possa ouvir o choro de Heitor, seguindo com mix de sentimentos, alegria pois meu filho estava em meus braços, cansaço de não dormir e estresse na amamentação. Eu chorava muito nos primeiros meses, e qualquer motivo que para mim parecia bobo, mas não era, eu chorava. Se quer eu podia falar no meu filho que eu chorava.

Porque eu me sentia triste? Bom, vários fatores "ajudaram" a me sentir assim. Primeiro que a Maternidade caiu a ficha quando Heitor nasceu, fiquei com medo de exercer o papel de mãe, no sentido de errar, mas isso não quer dizer que eu não queria ser mãe, pois eu quis muito, eu desejei muito Heitor desde quando nasci. Além disso, o bebê não nasce com um manual de instruções e nós não nascemos sabendo ser mãe. Só sabemos o que é ser mãe e educar quando nos tornamos mães.

Eu não me arrumava, aquelas olheiras gritantes em meu rosto, meu cabelo parecia que não conhecia o pente, eu tomava um banho por dia quando meu marido chegava do trabalho (de gato né) e mal conseguia escovar meus dentes. Heitor nasceu prematuro, isso me assustou um pouco. Um outro fator que me deixou muito triste e eu fiquei dias chorando aconteceu ainda na Maternidade.

No primeiro dia, o colostro começou aparecer mais e mais. Isso fez com que começasse o acúmulo no seio, formando as famosas pedras. Como eu não conseguia amamentar direito por conta disso, uma enfermeira veio me ajudar e ensinar a massagear os seios e não ter o risco de empedrar. Ela fez primeiro no seio ESQUERDO. Meu deus! Se fosse para sentir aquela dor na hora da massagem, eu não queria amamentar. Juro que isso passou por um segundo na minha cabeça. Só que tanto a massagem como o ato da amamentação não dói. Não é para ser um momento dolorido e sim prazeroso ambas partes. A enfermeira parecia que estava literalmente tirando o leite da vaca. Ela não fez nenhuma massagem no meu seio, ela simplesmente apertava e tirava o leite. Eu gritava de dor, chorava muito. Resultado: No dia seguinte eu não conseguia amamentar e não conseguia se quer levantar meu baço esquerdo. No dia seguinte veio no quarto uma outra enfermeira fazer no seio direito, pois eu mal conseguia movimentar o braço. Ela começou massageando, eu eu não parecia que ela estava tocando no meu seio. Uma delicadeza. Foi ai que eu contei o que tinha acontecido no dia anterior, ela analisou meu seio, estava extremamente inchado. Como Heitor não pegava o seio esquerdo, decidi tirar na mão o leite para não empedrar e depois em casa comecei a tirar na bombinha. Mas como Heitor não mamava como no seio direito, a produção de leite foi caindo cada vez mais. Assim não saia quase nada na bombinha. Um belo dia acordei e meu seio esquerdo tinha voltado ao tamanho normal e sem nada de leite. E os dias passando, meu seio direto triplicava de tamanho. Isso me deixava constrangida. Não deixava meu marido se quer me ver de sutian. Por vergonha.

Outro ponto: eu fiz uma cesárea e ficamos três dias na maternidade. No terceiro dia eu já estava arrumando as malas, feliz da vida que finalmente íamos para casa. Mas Heitor estava com Icterícia, e o Pediatra disse que não ia dar alta, pois a bilirrubina estava alta e Heitor precisava tomar banho de luz. A forma que o Pediatra deu a notícia não foi lá das melhores. Eu não sabia o que era Icterícia, o doutor falava na linguagem de médico e eu não entendia. Só pelo simples fato de que não iriamos para casa, me deixou paralisada, parece que tinham arrancado algo de mim.

Meu médico soube que não íamos para casa, foi até o quarto e conversou comigo. Me assegurou que não me daria alta se Heitor não tivesse também. Foi ai que eu fiquei mais tranquila. Pois sabia que eu iria ficar ali com meu filho. Logo em seguida trouxeram para o quarto o berço para Heitor tomar banho de luz. Ele ficava pelado somente com uma venda nos olhos. Heitor era um bebê que se mexe muito desde a barriga. Acostumado com um lugar apertadinho, ele chorava demais porque se sentia solto e isso o assustava. O pediatra e enfermeiras pedia para tirar Heitor do berço somente para limpar xixi e cocô e para amamentar. Caso contrário era para deixa-lo lá, mesmo chorando. Me desculpa a ignorância. Mas no primeiro dia nós não conseguimos. Ele chorava tanto, eu chorava junto, sem saber o que fazer. Essa primeira noite de banho de luz foi exaustiva. Eu não dormi, com medo dele tirar a venda dos olhos, aquela luz fortíssima azul dominada o quarto inteiro além do calor. Na manhã seguinte fizeram exame de sangue e viram que a icterícia não tinha baixado nada.

Eu já estava desesperada para ir embora da Maternidade, queria a minha casa, meu conforto, meu lar. Foi ai que eu e meu marido fizemos uma trouxinha com uma manta e colocamos do lado de Heitor para ele se sentir melhor. Só tiramos para limpa-lo e amamentar. Graças a Deus no dia seguinte a bilirrubina de 13 caiu para 9. E para receber alta o resultado tem que ser menor que 10.

Finalmente fomos para casa, e eu ainda me sentia triste. Poxa porque? Meu filho nasceu, estamos em casa, mesmo com tudo que tinha acontecido em apenas 5 dias conseguimos passar e enfrentar a situação.

Foi ai que eu percebi o meu estado e decidi conversar com meu médico e uma psicóloga e eles me orientaram, me apoiaram e entenderam a minha situação. Além de ter todo apoio da minha família e amigos. Tudo que eu estava vivendo não era loucura da minha cabeça ou "estou querendo me mostrar". Não! Era o que eu estava sentindo, e isso não me fazia bem, porque eu me sentia refém daquela situação.

Sempre fui uma pessoa que vivia um dia de cada vez e tranquila, mas parece que após o nascimento de Heitor, eu queria viver um ano e apenas um dia. Fazer tudo ao mesmo tempo e não conseguir concluir metade de uma tarefa. Comecei a me arrumar, passar uma maquiagem, aos poucos tudo foi se encaixando. Heitor foi criando sua rotina de mamadas, sonecas e eu fui melhorando e me libertando. Muita gente me falava que eu estava com depressão pós parto. Pois alguns sintomas são parecidos. Mas depressão pós parto o buraco é mais fundo, eu não sentia rejeição ao meu filho, muito pelo ao contrário, um dos motivos que eu chorava, era de ter em meus braços, a felicidade era tanta, que eu não acreditava e chorava. Eu não precisava de um tratamento, terapias e remédios. Mas o apoio de todos ao meu redor foi fundamental, além de começar acreditar em mim mesma. Eu sou capaz. E eu fui. Eu me recuperei. Voltei a ser a Juliana de sempre e até melhor. Mais forte.

E uma das coisas que Heitor e a maternidade me ensinou em poucas horas foi isso, aproveitar cada momento porque é único e passa rápido demais. Quando nos demos conta, um ano já se passou. E eu me perguntou hoje? Você aproveitou cada momento? Eu respondo: SIM! cada segundo e não me arrependo de nada. Se o tempo voltasse, faria tudo igual!

Grande beijo,

Juliana Utiike.

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